Nesse domingo me livrei de tudo e qualquer coisa que me pudesse fazer lembrar de você. Joguei aquela fronha que exalava seu perfume fora, me livrei daqueles velhos vinis, doei as camisas que estavam ocupando espaço no meu ármario...Quase que mudei o nome do Fred, nosso cachorro. Lembra do dia que em que o adotamos logo após sairmos do mercado? É, os olhinhos dele brilharam para nós, assim como a gente se encantou com ele de primeira. Então, voltamos nós dois pra casa, ops, nós três: Eu, você o e Fred. Um pacote de ração e uma caixinha de cerveja, e assim passamos a sexta-feira em casa mesmo, descobrindo a delícia que é ter um cachorro. Você chegava em casa e logo ia brincar com ele e depois os dois se esparramavam no sofá esperando que eu fizesse carinho, momento o qual eu adorava. Mas aí, o Fred foi crescendo e a sua dedicação com ele já não era a mesma, ás vezes saia pra passear, ás vezes um carinho alí e assim, em dias críticos até com o pé servia o afago, sorte a sua que ele não era exigente, se contentava com o seu sorriso e um pouco de atenção. Bem diferente de mim, que nunca exige muito também, mas sempre achei que quando se trata de amor merecemos o melhor...Era o que não estava mais acontecendo entre a gente, então numa noite de sexta-feira, lembra?! Dia 06 de abril, dia em que estavamos comemorando 1 ano do Fred você após beber umas cervejas e esbravejar sobre como a vida te maltrata decidiu partir...Não te segurei, assim como não quis te obrigar a ficar, só disse - faça as malas e pegue o que é seu - Você já ia pegando a coleira e ajeitando de qualquer jeito o saco de ração para colocar em sua bolsa, eu somente disse - ele fica! Você assentiu, o acariciou na cabeça e atrás das orelhas como ele gosta e saiu...Deixando o Fred e eu para trás.
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